E aí galera! Vocês sabem o que é nível de ação? Já utilizam esse conceito nas empresas e nos Programas de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) que executam por aí?

Hoje vou ensinar um conceito muito importante na hora de se avaliar os agentes ambientais no seu trabalho.

O que é nível de ação

O nível de ação segundo a NR 9, que trata do famoso PPRA, nada mais é que o valor acima do qual devem ser iniciadas as ações preventivas. De forma a minimizar a probabilidade de que as exposições a agentes ambientais ultrapassem os limites de exposição.

Mesmo que o limite de tolerância não tenha sido ultrapassado, a empresa deverá tomar atitudes para que esse agente não venha a se transformar num problema para saúde de seus funcionários.

Ou seja, se na sua avaliação quantitativa do agente, o mesmo passou desse nível você tem que tomar uma atitude!

Pela NR 9 deve-se levar em conta o nível de ação na avaliação de dois tipos de agentes: O agente físico ruído e os agentes químicos que podem ser avaliados quantitativamente (ou seja, que pode ser medido)!

Nível de ação para Agente físico ruído!

A confusão aqui é grande, nas empresas e nos lugares que eu vou é comum ouvir que a empresa deve tomar providências apenas quando o nível de ruído contínuo for maior que 85dB(A) (e normalmente só protetor auditivo) , que é a máxima exposição diária permitida para 8 horas e está no anexo I da NR-15.

Isso está errado pelo conceito do nível de ação, que para o ruído, é a dose de 0,5 (dose superior a 50%).

Então se o limite de tolerância é 85 db(A) para 8 horas de trabalho, o nível de ação de 50% será 80 db(A)*.aGENTE FISICO

Agente físico ruído

*A escala de nível de ruído é logarítmica, como a escala Richter dos terremotos, ela reduz a representação a uma escala mais fácil de ser visualizada e manejada. Pela NR 15 o nível de ruído dobra a cada 5 decibéis. Então a metade de 85 db(A) é 80db(A) e o dobro de 85db(A) não é 170db(A) e sim 90db(A).

Para ser prático, se os funcionários de determinada empresa têm uma jornada diária de 8 horas e você ao levantar a dose de ruído encontrou uma dose equivalente a 81db(A), segundo a NR 15 não ultrapassou o limite de tolerância e eles não trabalham em ambiente insalubre, porém isso não quer dizer que você não tenha que tomar uma atitude!

Nível de ação para os Agentes Químicos!

Para os agentes químicos, igual ao ruído, o nível de ação também é a metade dos limites de exposição ocupacional constantes no Anexo 11 da NR 15*.

Segundo o item 9.3.5.1 alínea “c” na ausência dos valores limites de exposição ocupacional na NR 15 deve ser adotados os limites dados pela ACGIH – American Conference of Governmental Industrial Higyenists, ou aqueles que venham a ser estabelecidos em negociação coletiva de trabalho, desde que mais rigorosos do que os critérios técnico-legais estabelecidos;

Vamos supor que você está fazendo a avaliação dos agentes ambientais de um salão de beleza e descobre que as manicures utilizam acetona para retirada do esmalte das clientes. Ao analisar o quadro I do anexo 11, você vê que a danada da acetona está lá, com limite de tolerância de 780 ppm e portanto deve ser avaliada quantitativamente. Ao chegar o resultado do laboratório que fez a análise, você vê que a manicure está exposta a 400 ppm durante a sua jornada de trabalho. O que você faz?

Se você é um cara esperto, já sabe que apesar de não ter ultrapassado o limite de tolerância, ultrapassou o limite de ação (metade de 780 ppm é 390 ppm). Portanto deverá controlar essa exposição para que ela não chegue a fazer mal para as manicures.

Quais ações devem ser tomadas pela empresa?

Agora que você já sabe quando começar a tomar as ações necessárias chegou a hora de saber o que fazer.  A recomendação básica é que se foi ultrapassado o nível de ação você já deve encará-lo como um risco. Se é risco, deve-se tomar todas as ações preventivas para minimizar a probabilidade de que essa exposição deixe seus funcionários doentes. Além disso, a NR 9 traz que as ações devem incluir:

  • Monitoramento periódico da exposição;
  • Informação aos trabalhadores;
  • Controle médico

Vamos dar um exemplo real:

No caso do ruído, o interessante é que as doses fiquem abaixo do nível de ação, que para nosso exemplo é abaixo de 80 db(A) em 8 horas de trabalho. Mas nós sabemos o quanto isso é difícil nos ambientes de trabalho, então a sacada aqui é identificar as fontes de ruído, tentando eliminá-las, melhorar a acústica e esgotada todas as possibilidades fornecer o protetor auditivo adequado, que diga-se de passagem na prática ainda acontece o contrário.  Além disso a empresa deve monitorar a exposição desses trabalhadores rotineiramente, informá-los sobre os riscos através de ordens de serviço e outras ferramentas e também realizar o controle médico, como por exemplo o exame audiométrico.

Conclusão!

As normas tentam prevenir a suscetibilidade individual,  que nada mais é a chance de uma pessoa ficar doente mesmo em níveis abaixo do limite de tolerância estabelecido.

Como no nosso exemplo o funcionário pode perder a audição mesmo estando exposto a um nível de ruído de 81db(A) se ele for suscetível a isso. Portanto a importância de se tomar atitudes preventivas.

FONTE: http://descomplicanr.com.br/